Às vésperas do julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), do processo administrativo disciplinar instaurado para apurar denúncias de assédio e importunação sexual envolvendo o ministro Marco Buzzi, a Me Too Brasil manifesta sua solidariedade às mulheres que tiveram a coragem de romper o silêncio e relatar os fatos.


Sabemos que, em casos de violência sexual, é comum que as vítimas enfrentem não apenas o trauma decorrente da violência, mas também tentativas de descredibilização de suas narrativas, ataques à sua reputação, exposição pública e diferentes formas de revitimização. Esse cenário pode gerar sofrimento emocional intenso e desencorajar outras pessoas a romperem o silêncio.


Reafirmamos que nenhuma mulher deve ser silenciada, intimidada ou constrangida por exercer seu direito de denunciar uma violência. A escuta qualificada, o acolhimento e o respeito à dignidade das vítimas são princípios fundamentais para a construção de uma sociedade comprometida com os direitos humanos e o enfrentamento à violência sexual.


Confiamos que o processo seja conduzido com independência, imparcialidade e observância ao devido processo legal, garantindo que todas as provas produzidas sejam analisadas com o rigor que a gravidade do caso exige. O combate à violência sexual também passa pelo fortalecimento das instituições e pela responsabilização de condutas, quando comprovadas, sem espaço para a revitimização das pessoas que buscaram justiça.


Neste momento, nossa mensagem é dirigida especialmente às vítimas: vocês não estão sozinhas. A coragem de denunciar contribui para romper ciclos de violência e abre caminhos para que outras pessoas também encontrem segurança para buscar ajuda.


A Me Too Brasil seguirá firme em sua missão de acolher sobreviventes de violência sexual, promover uma escuta humanizada e defender uma cultura de respeito, responsabilização e proteção aos direitos das vítimas.