Minha vida mudou completamente entre 2022 e 2023. Naquela época, fui vítima de um homem que ficava mexendo em mim enquanto eu dormia. Isso aconteceu por cinco noites seguidas. Eu sentia aquilo, me arrepiava, tentava me cobrir. Depois comecei a sentir vergonha de mim mesma por causa disso, até que minha mãe descobriu, brigou comigo, tentou matar o homem e o denunciou.

Tempos depois, uma pessoa muito próxima estava drogada, e eu fui ajudá-la porque também estava bêbada. Deixei-a no sofá e fiquei mexendo no celular, quando comecei a sentir algo molhado em mim, era a parte genital dele. Ele tentou tirar minhas roupas. Consegui sair de lá e fui para a casa da minha mãe. Pedi ajuda ao meu padrasto para que abrisse a porta do quarto e eu passei o resto da noite lá. Até hoje ninguém sabe disso, nem mesmo a pessoa que fez isso se lembra, só eu sei e lembro, e prefiro que continue assim. Não culpo ninguém por isso.

Em outra ocasião, saí de casa para ir à casa de uma amiga, que morava praticamente ao lado da minha. Outra amiga me chamou para ir até a praça, dizendo que seria algo rápido. Eu aceitei. Quando chegamos lá, ela encontrou um amigo, que estava acompanhado do primo. Foi nesse momento que vivi um dos piores momentos da minha vida: o primo desse rapaz me agarrou e tentou me estuprar, chegando a tentar manter relação sexual comigo à força. Consegui escapar e fui embora completamente destruída.

Quando cheguei em casa, fui direto para o banheiro. Chorei por muito tempo e mandei uma mensagem para minha mãe contando o que tinha acontecido. Ela ficou muito nervosa e brigou comigo. Depois daquele dia, desenvolvi uma ansiedade muito forte. Passava dias trancada no quarto, chorando sem parar; meu rosto vivia inchado de tanto chorar. Eu apenas ia para a escola e voltava para o quarto, onde continuava chorando.

Mesmo com meu medo, minha mãe decidiu denunciar o agressor. Depois da denúncia, ele começou a me perseguir, ficando parado em frente à minha escola, me observando. Na delegacia, descobrimos que ele já era procurado por outros motivos. Por causa disso, fui morar com meu pai, em outro estado.

Achei que minha vida melhoraria, mas outro sofrimento começou. Meu pai era alcoólatra e, em um dia de violência, me espancou: puxou meus cabelos, me arrastou e bateu em mim com um cinto. Fiquei com várias marcas roxas pelo corpo. Mesmo assim, não me calei, disse que, se aquilo acontecesse novamente, eu o denunciaria. Depois daquele dia, ele nunca mais voltou a me bater, embora continuasse brigando e gritando comigo.

Depois que ele se separou da esposa, voltei para minha cidade. Recomecei minha vida, voltei para a escola e fiz novos amigos. Em maio de 2025, conheci um rapaz pelo Instagram. Descobrimos que estudávamos na mesma escola e começamos um relacionamento.

Algum tempo depois, descobri que ele havia mantido relações com uma menina de apenas 13 anos. Fiquei revoltada e terminei o relacionamento. Foi então que ele tentou me matar: primeiro colocou um pano sobre meu rosto para me sufocar, e, como não conseguiu, tentou me enforcar.

Contei o que tinha acontecido ao melhor amigo dele e à namorada desse amigo, que também era minha amiga. Depois disso, ele apareceu na minha casa exigindo que eu não contasse nada a ninguém. Continuei decidida a terminar. Ele passou a ameaçar meus amigos na escola. Eu disse que, se quisesse resolver alguma coisa, deveria falar comigo, e não envolver pessoas que não tinham culpa. Entreguei a aliança e encerrei definitivamente aquele relacionamento.

Pouco tempo depois, descobri que estava grávida. Eu ainda era muito jovem e fiquei desesperada, pois a gravidez não foi planejada. Mesmo assustada, continuei a gestação.

Durante a gravidez, enfrentei muitos problemas de saúde, passando por diversos hospitais e fazendo muitos exames. Enquanto isso, a família paterna do bebê enviava certo valor por mês, dizendo que aquela quantia deveria ser suficiente para exames, alimentação, enxoval e todas as outras despesas. Não era. Minha mãe e eu acabamos pedindo que parassem de enviar aquele valor, porque, além de insuficiente, ainda éramos tratadas como se estivéssemos exigindo demais. Enquanto isso, meu ex espalhava mentiras dizendo que eu queria aplicar um golpe nele, que só havia engravidado por dinheiro, e inventava várias histórias para tentar destruir minha imagem.

No início de março de 2026, comecei a sentir um sangramento muito intenso e fui levada ao hospital durante a madrugada. Descobri que meu útero já estava dilatado e que meu bebê corria risco. Recebi medicamentos para tentar prolongar a gestação e fui transferida para outra cidade. Meu estado piorou rapidamente: eu sangrava tanto que se formavam poças de sangue no chão, e a maca ficava completamente coberta de sangue durante os exames. A médica explicou que minha placenta havia descolado e que eu praticamente não tinha mais líquido amniótico. Eu precisava de uma cesariana de urgência, mas não havia vaga. Minha mãe conseguiu uma ambulância para nos levar até Belém. Passei horas esperando atendimento e fui operada em estado grave.

Meu filho nasceu com apenas 33 semanas. Não conseguiu respirar sozinho, sofreu convulsões, precisou ser entubado e ficou internado na UTI neonatal. Enquanto eu me recuperava da cirurgia, pedi várias vezes que o pai dele fosse ao hospital para acompanhá-lo. Ele nunca foi.

Quando finalmente consegui chegar ao hospital, descobri que meu filho havia sido considerado abandonado por falta de visitas da família. Entrei em desespero. Pouco depois, um médico me explicou que ele havia melhorado e sido transferido da UTI para a UCI. Depois que me recuperei um pouco mais, pude segurá-lo, amamentá-lo e, finalmente, levá-lo para casa.

Quando voltamos para casa, praticamente não tínhamos nada para receber o bebê. Meu avô emprestou dinheiro para comprarmos o necessário. O pai da criança comprou apenas um ventilador e pagou uma cômoda; fora isso, sua participação foi muito pequena.

Hoje meu filho tem quatro meses. Mesmo ajudando muito pouco, o pai dele entrou com um processo na Justiça dizendo que eu exijo demais dele. Na prática, ele contribui apenas com um pacote de fraldas por mês. Algumas roupas que comprou foram apenas para substituir parte do enxoval que ele mesmo estragou ao lavar de forma inadequada.

Depois de iniciar o processo, ele passou a querer visitar o bebê, mas muitas vezes não presta atenção nele. Em uma das visitas, meu filho dormiu em seu colo com o pescoço completamente torto enquanto ele permanecia olhando o celular. Precisei pegar meu filho de volta porque fiquei com medo de que ele se machucasse.

Depois do nosso término, ele também passou um tempo me perseguindo: aparecia constantemente na minha casa, mandava mensagens e insistia em falar comigo, mesmo depois de eu pedir que me deixasse em paz. Em uma ocasião, apareceu acompanhado de quatro rapazes, dizendo que eu havia mandado pessoas ligadas a uma facção ameaçá-lo. Isso nunca aconteceu. Eu disse que, se ele voltasse à minha casa daquela forma, chamaria a polícia. Depois bloqueei todos os contatos e deixei de responder às provocações.

Mesmo assim, ele continuou espalhando mentiras sobre mim, dizendo que eu era interesseira, que queria o dinheiro dele e que eu era uma ladra. Essas acusações machucaram muito minha imagem e fizeram muitas pessoas acreditarem em uma versão que nunca foi verdadeira.

Ao olhar para trás, vejo que enfrentei uma sequência de acontecimentos que ninguém deveria viver: sofri uma tentativa de estupro, perseguição, violência física, um relacionamento abusivo com tentativa de sufocamento e enforcamento, uma gravidez de alto risco, um parto prematuro, vi meu filho lutar pela vida na UTI neonatal e hoje ainda enfrento uma disputa judicial com o pai dele.

Apesar de tudo isso, continuo de pé. Nem sempre foi fácil. Houve momentos em que achei que não conseguiria continuar, principalmente quando meu filho estava internado. Mas ele se tornou a razão pela qual sigo em frente. Hoje, tudo o que eu quero é dar ao meu filho uma infância segura, cheia de amor e oportunidades, para que ele nunca precise carregar as dores que eu carreguei.