Eu o conheci em um famoso aplicativo. Ele se mostrou muito gentil, atencioso, carinhoso, amigo. Disse que não gostava muito de redes sociais, então por isso quase não dedicava muito tempo a internet, conversávamos mais no período da manhã, todos os dias. Ele dizia ter 41 anos, ter sido casado por 15 anos, divorciado, com 3 filhos e já era avô. Morava com a mãe pois o pai havia falecido há pouco tempo. Seu trabalho era ser representante de vendas de uma distribuidora de alimentos. Eu me senti muito atraída pelo jeitinho dele, carinhoso, atencioso, diferente dos outros homens que me procuravam para falar besteiras! Eu vivi um relacionamento abusivo em meu casamento, por mais de 10 anos, meu ex-marido é narcisista e eu sofri muito com isso. Nos últimos anos de casada, eu vivia em solidão, viúva de marido vivo, então desenvolvi uma carência muito profunda. Desejo de me sentir amada, vista, receber carinho e atenção, e na hora do namoro sentir que me desejava de verdade. Então, me divorciei, e sozinha há tanto tempo acabei me tornando uma mulher muito vulnerável. Ao conhecer ele, minha esperança de me sentir amada reascendeu! Assim, marcamos de nos encontrar pessoalmente em um local público, para irmos ao shopping da cidade. Quando nos encontramos, senti uma grande atração por ele e notei a forma como ele me olhou, um sorriso no olhar, me mediu dos pés à cabeça, dizendo como eu estava linda...
Mas, ele alegou que não queria mais ir ao shopping porque não havia recebido o pagamento e que não ficaria comigo nesse ambiente sem ao menos me pagar uma bebida. Eu implorei para ele aceitar, porque somente assim poderíamos passar um tempo juntos e nos conhecendo melhor! Ele relutou muito e disse que poderíamos ir no apartamento de um amigo, que nos receberia lá e ficaríamos tranquilos pra conversar. Eu relutei mais ainda, mas ele foi tão insistente, carinhoso e alegando que eu podia confiar nele, que ele não ia me agarrar, que eu poderia ficar tranquila, que passaríamos um dia legal juntos nos conhecendo... E eu cai. Aceitei e fomos.
Chegando no apartamento, ao entrar, me arrependi na hora. Notei que não tinha ninguém, e ao olhar pra trás, vi que ele tirou a chave da porta e deixou trancada. Não sabia o que fazer, procurei agir com naturalidade e ele me observando. Me secava com um olhar que me dava atração e calafrios ao mesmo tempo. Ele tirou a camisa, dizendo sobre o calor... E estava mesmo. Sentamos no sofá. Começamos a conversar, eu disse que gostei muito dele, que estava feliz por estarmos nos conhecendo melhor, que eu estava há muito tempo sozinha. Foi quando ele veio perto de mim, sentou bem de frente pra mim com uma das pernas cruzadas, e começou a me acariciar o rosto e cabelo. Eu tirei meus óculos e começamos a nos beijar. Ah, como fazia tempo que alguém não me beijava com tanto carinho! Como me senti desejada e amada naquele momento! Eu fiquei emocionada, feliz, me senti realizada! Mas, durante o beijo, ele empurrou meu corpo pra trás e deitou por cima de mim. Eu entrei em desespero! Implorei pra ele não fazer isso, implorei! Ele dizia "para de besteira" e continuava me beijando, beijando... Eu, por um momento pensei "ah, ele não vai ter coragem de fazer nada" e continuei beijando, mas ele começou a tentar colocar as pernas entre minhas pernas (eu estava de vestido). Então entrei em desespero de novo e comecei a implorar pra ele sair, mas eu não consegui, ele era grande, muito mais alto que eu, forte e eu não consegui levantar. Ele repetia "para de besteira" e continuou a fazer aquilo. Então tive a ideia de formular falta de ar, e disse que não estava bem, e comecei a contracenar. Ele levantou imediatamente e me ajudou a levantar também. Quando fiquei em pé, ele me prensou contra a parede e começou a me tocar. Eu implorei pra ele parar, disse que tinha gostado dele e que não era pra ser aquele dia ainda, pra gente se conhecer melhor, que eu não tinha planejado nada daquilo, que eu não era mulher disso. E ele continuou mesmo assim. Queria tocar meu corpo com insistência, então apelei pro lado emotivo, e abracei ele e pedi pra ele ter só um pouquinho de paciência, que conforme formos nos encontrando poderíamos ficar juntos com o tempo. Ele disse que não tinha paciência e que aquilo que estávamos fazendo no primeiro encontro era normal. Então, de repente ele me pegou e colocou no sofá de novo e dessa vez ele colocou todo peso dele em cima de mim e não deixou eu me mover. Entrei em choque, porque eu vi que não iria conseguir sair dali até que ele terminasse. Ele começou a me beijar novamente e tocar em mim. Eu não conseguia fazer nada e estou confusa até agora, porque pareceu no momento que eu queria, estava carente há tantos anos, mas eu não queria assim, não daquela forma, não naquele dia! Eu o desejei, achei ele atraente, bonito, mas não queria assim. Mas, quando ele começou a me tocar, eu tive um misto de sentimentos e não consegui fazê-lo parar. Então ele tirou minha calcinha, tirou suas roupas e fez tudo o que quis comigo. Tudo. Me movia como queria, me usou como quis e eu em choque sem reação, sem reclamar, somente pedi pra ele parar e disse que não queria isso. Ele fez dentro de mim sem proteção nenhuma, eu implorei pra ele não fazer isso pelo risco que correríamos, ele disse que tinha feito vasectomia e que não era pra me preocupar. Quando terminou, ele levantou e foi se limpar. Ficou ali, na minha frente, nu, se limpando e do nada pega o celular e começa a escrever um monte de coisas pra alguém. Não sei quem, o que dizia, nada. Ficou ali, nu na minha frente, escrevendo no celular e eu sem saber o que fazer. Ele disse pra eu me limpar. Fui ao banheiro sem acreditar que aquilo tinha acontecido comigo. E, ao olhar no espelho em cima da pia do banheiro, vi que o espelho foi fixado muito alto. Eu tinha que ficar na ponta dos pés pra conseguir me ver. E era exatamente da altura ele. Aquele apartamento não era de amigo nenhum, era dele. E pelo que notei, é um apartamento de uma família com criança! Menina, porque por um momento eu consegui ver os quartos, do casal com uma almofada de coração em cima da cama e o da menina com decoração cor de rosa, cheia de bonecas e ursinhos... Então sai do banheiro, ele no celular ainda nu e eu esperando sem saber como agir. Ele me olhou, abraçou, beijou e disse que me queria mais vezes, que me queria sempre. Se trocou. Em seguida, me falou que precisava ir no banco pra receber o pagamento, e disse que me deixaria no shopping e me encontraria lá assim que saísse do banco. Eu pedi pra ir junto com ele no banco, ele negou. Eu estava tão em choque que não consegui reclamar, brigar, me defender, nada. Agi como se tudo estivesse bem. Eu me odeio agora por ver que não consegui me defender dele. Então, ele me deixou no shopping e não voltou. Fiquei lá, sentada em uma mesa da praça de alimentação, chorando sozinha, tentando entender tudo que vivi. Fui ao banheiro, fiquei quase 40 minutos sentada no vaso, tentando assimilar o que eu fiz de errado, o que eu deveria ter feito. Sai do shopping desnorteada, pois a cidade é grande e eu não sabia dirigir direito nela. Procurei com muito custo e achei uma farmácia. Comecei a chorar de desespero pra atendente, quando fui pedir um remédio. A atendente me levou em um cantinho, me deu água, me acalmou, e me deu o remédio. Tomei, paguei, agradeci e vim embora pra casa, chorando o caminho inteiro. Não sei como consegui dirigir nesse estado. Hoje, estou mais consciente que entrei em choque e que eu não consegui fazer nada porque ele me manipulou, seduziu, aproveitou da minha carência, e do meu sentimento por ele, e fez tudo o que fez comigo. Eu me sinto culpada porque senti desejo por ele, e até agora meu corpo está reagindo de uma forma estranha, ainda sinto desejo por ele, mesmo ele tendo feito isso comigo, e eu me odeio por isso. E ao mesmo tempo que sei que ele agiu muito errado em fazer isso sabendo que eu não queria. Espero que outras mulheres, ao lerem meu relato, entendam que um pequeno gesto quando feito contra nossa vontade já demonstra um grave erro por parte de um homem no momento das carícias, do afeto, do namoro, de tudo.