Foi rápido, traçado e doído.
Aconteceu recentemente, em uma festa grande a que fui com algumas amigas. Tudo parecia incrível naquela noite: as músicas, o jeito como nos divertimos juntas e a forma como me sentia feliz após muito tempo tentando me convencer de que alguém se importava realmente comigo. Era de madrugada e saí para me encontrar com uma garota, e assim fomos até um canto e ficamos juntas por alguns minutos. Quando voltei, minhas amigas já não se encontravam no mesmo lugar que antes, e assim comecei a procurar.
A angústia começou a bater em meu peito, como se me sentisse mal por algo que nem ao menos imaginava que iria acontecer. Continuei andando até que acabei desistindo, e segui até o bar mais próximo a fim de conseguir internet. Conforme fui andando, a cada passo me sentia ainda mais angustiada, a vontade de chorar e o medo de olhar para trás. Eu sabia que estava sendo perseguida, e sabia que, se olhasse, ele iria correr atrás de onde quer que eu fosse. Por breves segundos, me senti calma por ver o bar mais próximo.
Mas ele me pegou antes que pudesse correr e berrar para alguém me tirar daquelas mãos pesadas e da respiração asquerosa em meu pescoço. Quando vi, estava sem minha calça, ouvia sua voz em meu ouvido e sua mão tapar minha boca. Eu não conseguia me mover, não entendia o que realmente estava acontecendo.
Meus olhos não conseguiam acompanhar o que ele fazia, comecei a me afogar com meu próprio choro abafado e minha cabeça girando. Ele me dizia coisas que ainda passam por minha cabeça, me lembrando, me torturando com aquela voz horrível e palavras que me fazem encolher e me afogar novamente em meu choro.
Hoje, ainda tenho marcas em minha pele, ainda sinto a presença dele me assombrando a cada lugar por que passo, a cada escuro que olho.
Não consigo me ver no espelho, os banhos não são o suficiente para me limpar.
Não há o que posso fazer, por vergonha e medo de contar abertamente o que ele fez naquela noite.
Porque ainda posso sentir minhas partes íntimas queimarem só de me sentar, só de fazer xixi. E dói tanto quanto me lembrar dos toques, e arde ainda mais em meu coração por saber que não posso dizer, pois seria vista como dramática por minha própria família, vista como uma pessoa que falou apenas para se passar por vítima, como se eu fosse a verdadeira culpada por tê-lo “provocado”.
Esse é meu primeiro relato, e mesmo que possa ter sido rápido, foi o suficiente para senti-lo acabando com minha vida.