Minha história não começou com uma mulher forte. Começou com uma menina de apenas 16 anos, que ainda estava descobrindo a vida quando entrou em um relacionamento que, aos poucos, se transformou no seu pior pesadelo.

Vieram as agressões, o abuso psicológico, as humilhações, as traições, as ameaças de morte. Fui sendo aprisionada dentro de uma relação que ia tirando de mim tudo aquilo que eu era. Apanhei tantas vezes que comecei a acreditar que sentir medo fazia parte da minha vida. Andava na rua de cabeça baixa, não por vergonha, mas por medo. Medo de olhar para alguém, medo de encontrar aquela pessoa, medo de fazer qualquer coisa que pudesse provocar mais uma agressão.

Enquanto eu tentava sobreviver àquela realidade, aos 17 anos perdi meu bebê. Ele nasceu prematuro, e eu precisei enfrentar uma dor que nenhuma mãe deveria conhecer tão cedo. Eu era apenas uma menina, mas naquele momento tive que conhecer uma dor de adulta. Foi uma das maiores tristezas da minha vida.

Houve noites em que eu chorava sozinha e pedia a Deus para morrer. Estava cansada de apanhar, de ter medo, de ser traída, de ser ameaçada, de não me reconhecer mais. Por fora, talvez muitas pessoas nem imaginassem o que acontecia. Por dentro, eu estava destruída.

Mas Deus não permitiu que aquela fosse a minha história até o fim. Eu consegui sair. Já faz anos que me separei daquele homem e daquela vida, mas sair do relacionamento não significou que tudo ficou bem imediatamente. Precisei reconstruir minha cabeça, minha autoestima, minha confiança, e a mulher que aquele relacionamento tentou destruir.

Carreguei traumas por muito tempo. Chorei pelo que vivi, pelo que perdi, pela menina que eu fui e que merecia ter conhecido uma vida completamente diferente. Mas um dia percebi que aquela menina ainda estava dentro de mim, e que eu precisava salvá-la.

Hoje eu olho para mim e vejo uma mulher que sobreviveu ao que um dia achou que fosse matá-la. Não sou mais aquela menina que andava de cabeça baixa. Hoje eu ando de cabeça erguida. Sei quem eu sou, sei o meu valor, sei o que mereço, e sei exatamente o que nunca mais vou aceitar de ninguém.

Se alguma mulher estiver lendo isso enquanto vive algo parecido, eu quero dizer uma coisa: saia. Não espere a próxima agressão. Não espere a próxima ameaça. Não espere ele mudar. Não espere ficar pior.

Eu sei que não é simples. Sei que existe medo, dependência, vergonha, filhos, ameaças, mil motivos que fazem uma mulher acreditar que não consegue sair. Mas também sei que é possível. Eu consegui.

E se eu pudesse voltar no tempo e abraçar aquela menina de 16 anos, eu diria: "Você não nasceu para viver com medo. Você não precisa aceitar violência para ser amada. Você ainda vai conhecer a mulher incrível que existe dentro de você. Aguenta só mais um pouco, porque um dia você vai sair daí e nunca mais vai abaixar a cabeça para ninguém."

Hoje eu não tenho vergonha da minha história. Tenho orgulho de ter sobrevivido a ela.

Eu não sou a mulher que ele tentou destruir. Eu sou a mulher que ele não conseguiu destruir.

E agora, quem decide a minha história sou eu.